No dia 22 parecia que não passava o tempo, ligaram-me o soro logo de manhã bem cedo e o ctg tb. E esperei...
Depois, na hora de almoço parece que tudo se precipitou: o Pai chegou pelas 13.00, pouco falamos e logo depois já pediam para ele sair um momento para preparar e sair logo para o bloco operatório.
Só sosseguei quando vi a minha médica lá dentro, como ainda não a tinha visto nesse dia, estava algo receosa que algo sucedesse e não fosse ela a "cortar-me".
A anestesista e o resto do pessoal do bloco foram sensacionais, como demorou um bocado a anestesia, iam trazendo umas garrafas de soro aquecido para os meus pés (a fazer de botija) e punham-me lençois quentinhos. A anestesia não custa nada - como da primeira vez, o pior é aqueles minutos em que me dá um enjoo muito profundo e parece que não respiro.
Depois da anestesia funcionar foi tudo muito muito rápido. Questão de uns minutos, direi eu, embora se perca a noção do tempo. Deixaram-me espreitar para lá do "lençol" assim que a tiraram, só uns segundos mas foi maravilhoso.
Depois levaram a Sofia para a sala ao lado, onde estava o neonatologista e enfermeiras para tratarem dela. Começou logo a berrar, a plenos pulmões. Era fantástico ouvir aquele som, diziam-me que ela era linda, perfeita e estava muito bem. Depois vi-a novamente, só mais um minutinho, já estava limpa e não berrava tanto, mas fazia um chorinho sentido.
Agora dá-me vontade de chorar ao recordar aquele minuto em que a olhei, mas na altura não chorava. Só queria olhar para ela, que a deixassem ali ficar.
Quando cheguei ao quarto, estava a Sofia ao colo de um papá babadíssimo de bata verde.
E puseram-na em cima do meu peito para eu a ver e cheirar e nos conhecermos.
Apaixonamo-nos logo.